quarta-feira, 5 de agosto de 2009

A Gorjeta...


Mais um assunto engraçado...no outro dia enquanto desfrutava calmamente o meu almoço não pude deixar de me espantar com uma notícia que dava conta sobre o valor das gorjetas em Portugal, especificamente na região turística do Algarve. O assunto que já anteriormente me tinha suscitado curiosidade voltou a despertar-me interesse pelo que fui ler algumas coisas sobre ele. Após visitar alguns sites deparei-me com a "cultura da gorjeta", isto é, em praticamente todos os países é hábito deixar gorjeta pelo bom atendimento recebido, contudo não pude deixar de me surpreender com a forma com que isso é encarado em alguns locais, pois em muitos países o valor da gorjeta vem já acrescentado na conta que o cliente recebe e em outros em que isto não está pré-estabelecido é no mínimo de bom tom deixar de 10% até 20% do valor total da conta. Como é óbvio qualquer pessoa que trabalhe, sobretudo num ramo ligado ao turismo gosta de receber um bónus pelo cuidado e atenção que deposita nos serviços prestados e também um cliente satisfeito sabe reconhecer as diferenças entre empregados mais e menos empenhados, e até penso que as pessoas gostam de agradecer deixando gorjeta, mas não gosto de pensar nisto como uma obrigação...Afinal de contas estes empregados não têm já o seu salário que deve ser pago na integra pelo patrão? Então porque têm as pessoas de pagar um extra, com o qual alguns empregados de determinados países contam para o orçamento familiar? Porque tem um turista de pagar uma taxa extra em determinado local pelo atendimento do empregado se ele não está a fazer mais que o trabalho para o qual é contratado? Porque é que num restaurante desses não se pode meramente pagar o valor da refeição? Não deveria o cliente ter direito a escolher deixar ou não gorjeta?

Não consigo perceber esta noção de gratificação obrigatória, penso que todos nós já demos uma gorjeta por ficarmos contentes com o atendimento mas dai a sermos obrigados!!!... Será que já pensámos que é obrigação de todos os empregados seja de que área forem, atender bem os clientes e permitir a sua satisfação? Nas escolas alguém dá gorjetas aos professores por eles se esforçarem em leccionar bem as matérias? Alguém dá gorjeta aos médicos que salvam a vida das pessoas ou às pessoas que contribuem para o diagnóstico de cancro? Devia ser uma obrigação de todos nós, empregados, atender bem independentemente de receber ou não bónus e deveria ser de livre e espontânea vontade do cliente reconhecer o nosso esforço...Acho que embora possa parecer educação e cortesia ainda devia ser considerada uma opção do cliente aquilo que consome e que paga e não suportar um extra ao qual deveria ter direito simplesmente. Felizmente em alguns países orientais, esta "cultura" não é comum e as pessoas simplesmente agradecem com um SORRISO com o qual concordo mais...não querendo com isto parecer forreta!


E tu o que achas?


Apus



quarta-feira, 22 de julho de 2009

Uma questão de Fé...


Depois de o aperto das aulas passar, a curiosidade recatada e dirigida meramente para os livros daquelas disciplinas cuja utilidade duvidaremos muito em breve, brotou de novo e hoje aquilo que partilho aqui com o meu fiel leitor desconhecido é o que penso ou não da religião.

Ontem pus-me a pensar, e só parei o pensamento horas e algumas páginas de net depois...

Desde que nasci que o meu destino trilhou o caminho do catolicismo, sempre acompanhada pelos meus pais, fui educada no seio de uma família católica, ainda que não praticantes acérrimos, mas nunca conheci nada senão esta religião que me foi "imposta". À medida que fui crescendo e assumindo-me cada vez mais como uma pessoa da ciência tornou-se difícil acreditar em certos fenómenos e defender certas teorias desta ideologia e por isso fui-me afastando gradualmente e tentando perceber o que mais existia além do que me era "vendido"... Por discórdia com certos assuntos, pelo desinteresse natural da adolescência e mesmo pela falta de tempo acabei por não realizar todos os sacramentos que um católico que se preze deverá fazer, o crisma, cujo nome correcto do sacramento penso que será - Confissão - e hoje encontro-me muito poucas vezes dentro de uma Igreja. Chegada a este ponto comecei a achar que teria de abandonar o local confortável do conhecido e procurar por mais ou pelo menos a abandonar a hipocrisia de quem não sabe o que anda a fazer mas faz porque todos os outros também fazem...

Quando olho à minha volta vejo que as pessoas são católicas e defendem a sua religião como a melhor do mundo, vejo as pessoas a fecharem as suas casas a outras pessoas que defendem outras crenças sem sequer escutarem o que elas têm a dizer e o que me surge na mente é "será que se todos nós tivéssemos tido a opção seríamos católicos? será que se conhecêssemos o desconhecido e deixássemos o confortável do que conhecemos estaríamos todos ainda no mesmo local a ser aquilo que tanto defendemos? será que sabemos mesmo aquilo que defendemos?" e então percebi que a maioria de nós não sabe nem conhece realmente aquilo que defende. Somos incutidos desde crianças na religião dos nossos pais, avós, antepassados, mais que isso somos incutidos nas decisões das massas, incutidos nas regras e costumes do país onde crescemos e que parte disto é opção nossa? creio que nenhuma...Acredito que muitos de nós se parassem para pensar sobre o assunto facilmente mudariam de opinião e creio também que todas as religiões do mundo seriam mais sinceras e melhores se a opção dos seguidores fosse informada...acho que muita hipocrisia desapareceria, porque para mim o mal reside não na religião que se segue mas naquilo que não se compreende que se esta a fazer, o mal está em não sermos seres individuais com pensamento próprio e em deixarmos que a ignorância tome conta de nos.
Comecei a perceber isto quando pensei em assuntos como o uso do preservativo, que a igreja tanto contraria, como pode alguém pensar isto? como pode alguém ignorar as consequências que desta decisão tresloucada podem advir? porque quando se defendem medidas como esta não se esta a pensar nas doenças que se transmitem e na pobreza que se origina, por exemplo, nos países do terceiro mundo...comecei a perceber o quão longe estava disto tudo quando vi excomungarem uma criança que havia sido inocentemente violada pelo próprio pai, engravidado e feito um aborto...

Acho que existem muitos assuntos que me distanciam da religião católica e por isso tento encontrar respostas e tento perceber se realmente e aqui o meu lugar e nas poucas pesquisas que fiz ate agora, percebi que talvez se me tivesse sido dada a opção de escolher talvez não estivesse aqui...talvez me identificasse mais com outra religião, outra ideologia...

Só nos poucos momentos que dediquei a este assunto fiquei a perceber que existem várias coisas com que me sinto mais próxima, como por exemplo, os protestantes, que ainda que muito semelhantes aos católicos não acreditam em purgatório, nem em obras que diminuam os nossos pecados, que não acreditam em confissões a padres, nem em ostentações na igreja, porque Deus está por todo o lado em qualquer um de nós; o budismo, a nova era, a fé Baha'i entre outras... o islamismo com ao qual não sinto qualquer pertença porque defendem o homem como ser mais importante e dominante, a poligamia, etc...o que talvez contraste em demasia com a cultura ocidental.

Em meros minutos percebi que o que sou poderia ser diferente se tivesse pensado, decidido e por isso mesmo ainda que já não seja capaz de abandonar esta "tradição", ainda que não hajam forças suficientes para a mudança, gosto de acreditar que um dia vou dar essa opção a alguém... porque eu acredito que a religião deve ser uma opção de vida e o baptismo não deve ser imposto...
E tu o que achas?


Apus

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Eutanásia


Porque hoje se fala do tema e porque afinal depois de tanto se falar, a verdade é que ainda nada se falou...

Eutanásia, o que é? A eutanásia é uma palavra de origem grega, composta por "eu" e "thanatos", isto é, "uma boa morte", ou uma morte misericordiosa. A eutanásia é a escolha, de livre vontade de uma pessoa em condições de boa sanidade mental cessar as suas funções vitais, morrendo. A grande questão à volta do tema, não se põe no entendimento deste, todos nós entendemos o conceito de escolher morrer, em casos de absoluto sofrimento e pouca dignidade, mas põe-se antes nos valores morais que susceptibilizam e chocam. Várias são as opiniões. Se por um lado a igreja e os seus seguidores defendem o direito à vida acima de tudo, mesmo sem dignidade humana, mesmo sem vontade da própria pessoa, por outro lado há aqueles que assumem antes das convicções morais as pessoas como seres mais importantes e por isso misericordiosamente lhes dão a possibilidade de parar de sofrer. Como é fácil de reparar eu sou das que defendem as pessoas sobre todas as coisas. Se quando estamos saudáveis e felizes ninguém nos defende ou vem em nosso auxilio, e na grande parte da nossa vida, alias a grande parte de todos nós durante uma vida inteira, vive em pleno anonimato sem cuidados ou preocupações por parte de ninguém, nem mesmo da igreja fundamentalista que ao que parece exerce em nós tanto poder, porque é que quando mais sofremos, com dores inemaginaveis não podemos simplesmente parar e dizer "Chega?". Não acho que escolher morrer sempre se justifique, é certo que devemos viver e que a vida está longe de poder ser sempre boa, ídilica ou perfeita, é certo que não podemos escolher não sofrer em todas as circunstâncias. Não podemos simplesmente decidir morrer para não sofrer, é claro que não, não em qualquer circunstância, mas quando já não há esperança de voltar a VIVER, apenas sobreviver, quando já estamos mais sós com a dor que connosco mesmo, sem sorrisos nem abraços porque a dor tudo apaga, será justo que nos obriguem a continuar a viver? Afinal essa vida a que tantos fazem questão de chamar, de honrar e dizer que não há pecado maior que acabar com ela, será mesmo Vida?
Será vida estar agarrado a uma cama sem nunca mais ouvir o chilrear dos pássaros, sentir a brisa do vento, sentir o cheiro da terra molhada ou da areia envolvente do mar, ver crianças a brincar nos parques? Será vida saber que não voltamos à nossa casa, à terra onde crescemos? Será vida saber que nunca mais vamos ver apagar as velas de um bolo de anos, que já não pode saber a nada? A vida pode ser feita de dores, mas se a dor tem capacidade para apagar tudo o resto, e inquietar ao ponto de nem ser possível recordar, então por qual vida se está a lutar? Somos seres humanos, temos de sofrer até porque sem isso seria impossível valorizar a magnitude desta experiência louca pela Terra...mas será justo sermos escravos de uma dor agonizante? Para mim isso não é vida, para mim desonra não é não morrer, mas é prolongar o sofrimento das pessoas quando se podia fazer algo para ajudar e amenizar, desonra para mim é obrigarmos as familias a recordar não a pessoa lúcida que já não aguentava mais, mas a pessoa feita em farrapos, completamente destruída, armagurada, sem vontade, sem fé, sem alma... Desonra é preferir viver rodeados de dor por medo de perder... E como dizia alguém quem ama deixa as coisas e pessoas livres...


e tu o que achas?

Apus