
Porque hoje se fala do tema e porque afinal depois de tanto se falar, a verdade é que ainda nada se falou...
Eutanásia, o que é? A eutanásia é uma palavra de origem grega, composta por "eu" e "thanatos", isto é, "uma boa morte", ou uma morte misericordiosa. A eutanásia é a escolha, de livre vontade de uma pessoa em condições de boa sanidade mental cessar as suas funções vitais, morrendo. A grande questão à volta do tema, não se põe no entendimento deste, todos nós entendemos o conceito de escolher morrer, em casos de absoluto sofrimento e pouca dignidade, mas põe-se antes nos valores morais que susceptibilizam e chocam. Várias são as opiniões. Se por um lado a igreja e os seus seguidores defendem o direito à vida acima de tudo, mesmo sem dignidade humana, mesmo sem vontade da própria pessoa, por outro lado há aqueles que assumem antes das convicções morais as pessoas como seres mais importantes e por isso misericordiosamente lhes dão a possibilidade de parar de sofrer. Como é fácil de reparar eu sou das que defendem as pessoas sobre todas as coisas. Se quando estamos saudáveis e felizes ninguém nos defende ou vem em nosso auxilio, e na grande parte da nossa vida, alias a grande parte de todos nós durante uma vida inteira, vive em pleno anonimato sem cuidados ou preocupações por parte de ninguém, nem mesmo da igreja fundamentalista que ao que parece exerce em nós tanto poder, porque é que quando mais sofremos, com dores inemaginaveis não podemos simplesmente parar e dizer "Chega?". Não acho que escolher morrer sempre se justifique, é certo que devemos viver e que a vida está longe de poder ser sempre boa, ídilica ou perfeita, é certo que não podemos escolher não sofrer em todas as circunstâncias. Não podemos simplesmente decidir morrer para não sofrer, é claro que não, não em qualquer circunstância, mas quando já não há esperança de voltar a VIVER, apenas sobreviver, quando já estamos mais sós com a dor que connosco mesmo, sem sorrisos nem abraços porque a dor tudo apaga, será justo que nos obriguem a continuar a viver? Afinal essa vida a que tantos fazem questão de chamar, de honrar e dizer que não há pecado maior que acabar com ela, será mesmo Vida?
Será vida estar agarrado a uma cama sem nunca mais ouvir o chilrear dos pássaros, sentir a brisa do vento, sentir o cheiro da terra molhada ou da areia envolvente do mar, ver crianças a brincar nos parques? Será vida saber que não voltamos à nossa casa, à terra onde crescemos? Será vida saber que nunca mais vamos ver apagar as velas de um bolo de anos, que já não pode saber a nada? A vida pode ser feita de dores, mas se a dor tem capacidade para apagar tudo o resto, e inquietar ao ponto de nem ser possível recordar, então por qual vida se está a lutar? Somos seres humanos, temos de sofrer até porque sem isso seria impossível valorizar a magnitude desta experiência louca pela Terra...mas será justo sermos escravos de uma dor agonizante? Para mim isso não é vida, para mim desonra não é não morrer, mas é prolongar o sofrimento das pessoas quando se podia fazer algo para ajudar e amenizar, desonra para mim é obrigarmos as familias a recordar não a pessoa lúcida que já não aguentava mais, mas a pessoa feita em farrapos, completamente destruída, armagurada, sem vontade, sem fé, sem alma... Desonra é preferir viver rodeados de dor por medo de perder... E como dizia alguém quem ama deixa as coisas e pessoas livres...
Eutanásia, o que é? A eutanásia é uma palavra de origem grega, composta por "eu" e "thanatos", isto é, "uma boa morte", ou uma morte misericordiosa. A eutanásia é a escolha, de livre vontade de uma pessoa em condições de boa sanidade mental cessar as suas funções vitais, morrendo. A grande questão à volta do tema, não se põe no entendimento deste, todos nós entendemos o conceito de escolher morrer, em casos de absoluto sofrimento e pouca dignidade, mas põe-se antes nos valores morais que susceptibilizam e chocam. Várias são as opiniões. Se por um lado a igreja e os seus seguidores defendem o direito à vida acima de tudo, mesmo sem dignidade humana, mesmo sem vontade da própria pessoa, por outro lado há aqueles que assumem antes das convicções morais as pessoas como seres mais importantes e por isso misericordiosamente lhes dão a possibilidade de parar de sofrer. Como é fácil de reparar eu sou das que defendem as pessoas sobre todas as coisas. Se quando estamos saudáveis e felizes ninguém nos defende ou vem em nosso auxilio, e na grande parte da nossa vida, alias a grande parte de todos nós durante uma vida inteira, vive em pleno anonimato sem cuidados ou preocupações por parte de ninguém, nem mesmo da igreja fundamentalista que ao que parece exerce em nós tanto poder, porque é que quando mais sofremos, com dores inemaginaveis não podemos simplesmente parar e dizer "Chega?". Não acho que escolher morrer sempre se justifique, é certo que devemos viver e que a vida está longe de poder ser sempre boa, ídilica ou perfeita, é certo que não podemos escolher não sofrer em todas as circunstâncias. Não podemos simplesmente decidir morrer para não sofrer, é claro que não, não em qualquer circunstância, mas quando já não há esperança de voltar a VIVER, apenas sobreviver, quando já estamos mais sós com a dor que connosco mesmo, sem sorrisos nem abraços porque a dor tudo apaga, será justo que nos obriguem a continuar a viver? Afinal essa vida a que tantos fazem questão de chamar, de honrar e dizer que não há pecado maior que acabar com ela, será mesmo Vida?
Será vida estar agarrado a uma cama sem nunca mais ouvir o chilrear dos pássaros, sentir a brisa do vento, sentir o cheiro da terra molhada ou da areia envolvente do mar, ver crianças a brincar nos parques? Será vida saber que não voltamos à nossa casa, à terra onde crescemos? Será vida saber que nunca mais vamos ver apagar as velas de um bolo de anos, que já não pode saber a nada? A vida pode ser feita de dores, mas se a dor tem capacidade para apagar tudo o resto, e inquietar ao ponto de nem ser possível recordar, então por qual vida se está a lutar? Somos seres humanos, temos de sofrer até porque sem isso seria impossível valorizar a magnitude desta experiência louca pela Terra...mas será justo sermos escravos de uma dor agonizante? Para mim isso não é vida, para mim desonra não é não morrer, mas é prolongar o sofrimento das pessoas quando se podia fazer algo para ajudar e amenizar, desonra para mim é obrigarmos as familias a recordar não a pessoa lúcida que já não aguentava mais, mas a pessoa feita em farrapos, completamente destruída, armagurada, sem vontade, sem fé, sem alma... Desonra é preferir viver rodeados de dor por medo de perder... E como dizia alguém quem ama deixa as coisas e pessoas livres...
e tu o que achas?
Apus

Um comentário:
Olá doce! Antes de mais nada, parabens pelo post fantástico que ainda não tinha tido oportunidade de ler atentamente. É de se ficar com lágrimas nos olhos.
"e tu o que achas?"
Eu realmente concordo com tudo o que escreveste. Mas reforço a ideia implicita do teu post de que muitas vezes a "escolha de morrer" é mal vista pela sociedade principalmente devido à pouca informação que há sobre este tema. Se há opiniões, como a nossa, que vêm as pessoas como uma entidade quase suprema na face da terra, há outras opiniões que defendem incansavel e insaciavelmente os "valores morais" da igreja. Digo valores morais entre "", porque, para mim, valores morais são aqueles que defendem o bem estar das pessoas, e não aqueles que são aceites pela sociedade como "lei". Qual é a vantagem ou o objectivo, como quiseres chamar, de viver se não se pode usufruir das coisas mais banais da vida e que tanto prazer nos dão? Ver o mar, sentir a areia nos pés, ver as estrelas e a lua numa noite sem nuvens, dar a mão aqueles que mais gostamos, dizer "gosto de ti" quando realmente o sentimos... Na minha opinião, a Eutanásia é, e será durante muito tempo, um taboo da nossa sociedade. Não porque muitos não a apoiem, porque quase de certeza que a maioria das pessas a apoia, mas porque vai contra as crenças enraizadas em que muitos acreditam e não querem pôr em causa.
E tenho dito!
Beijinho *
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