quarta-feira, 22 de julho de 2009

Uma questão de Fé...


Depois de o aperto das aulas passar, a curiosidade recatada e dirigida meramente para os livros daquelas disciplinas cuja utilidade duvidaremos muito em breve, brotou de novo e hoje aquilo que partilho aqui com o meu fiel leitor desconhecido é o que penso ou não da religião.

Ontem pus-me a pensar, e só parei o pensamento horas e algumas páginas de net depois...

Desde que nasci que o meu destino trilhou o caminho do catolicismo, sempre acompanhada pelos meus pais, fui educada no seio de uma família católica, ainda que não praticantes acérrimos, mas nunca conheci nada senão esta religião que me foi "imposta". À medida que fui crescendo e assumindo-me cada vez mais como uma pessoa da ciência tornou-se difícil acreditar em certos fenómenos e defender certas teorias desta ideologia e por isso fui-me afastando gradualmente e tentando perceber o que mais existia além do que me era "vendido"... Por discórdia com certos assuntos, pelo desinteresse natural da adolescência e mesmo pela falta de tempo acabei por não realizar todos os sacramentos que um católico que se preze deverá fazer, o crisma, cujo nome correcto do sacramento penso que será - Confissão - e hoje encontro-me muito poucas vezes dentro de uma Igreja. Chegada a este ponto comecei a achar que teria de abandonar o local confortável do conhecido e procurar por mais ou pelo menos a abandonar a hipocrisia de quem não sabe o que anda a fazer mas faz porque todos os outros também fazem...

Quando olho à minha volta vejo que as pessoas são católicas e defendem a sua religião como a melhor do mundo, vejo as pessoas a fecharem as suas casas a outras pessoas que defendem outras crenças sem sequer escutarem o que elas têm a dizer e o que me surge na mente é "será que se todos nós tivéssemos tido a opção seríamos católicos? será que se conhecêssemos o desconhecido e deixássemos o confortável do que conhecemos estaríamos todos ainda no mesmo local a ser aquilo que tanto defendemos? será que sabemos mesmo aquilo que defendemos?" e então percebi que a maioria de nós não sabe nem conhece realmente aquilo que defende. Somos incutidos desde crianças na religião dos nossos pais, avós, antepassados, mais que isso somos incutidos nas decisões das massas, incutidos nas regras e costumes do país onde crescemos e que parte disto é opção nossa? creio que nenhuma...Acredito que muitos de nós se parassem para pensar sobre o assunto facilmente mudariam de opinião e creio também que todas as religiões do mundo seriam mais sinceras e melhores se a opção dos seguidores fosse informada...acho que muita hipocrisia desapareceria, porque para mim o mal reside não na religião que se segue mas naquilo que não se compreende que se esta a fazer, o mal está em não sermos seres individuais com pensamento próprio e em deixarmos que a ignorância tome conta de nos.
Comecei a perceber isto quando pensei em assuntos como o uso do preservativo, que a igreja tanto contraria, como pode alguém pensar isto? como pode alguém ignorar as consequências que desta decisão tresloucada podem advir? porque quando se defendem medidas como esta não se esta a pensar nas doenças que se transmitem e na pobreza que se origina, por exemplo, nos países do terceiro mundo...comecei a perceber o quão longe estava disto tudo quando vi excomungarem uma criança que havia sido inocentemente violada pelo próprio pai, engravidado e feito um aborto...

Acho que existem muitos assuntos que me distanciam da religião católica e por isso tento encontrar respostas e tento perceber se realmente e aqui o meu lugar e nas poucas pesquisas que fiz ate agora, percebi que talvez se me tivesse sido dada a opção de escolher talvez não estivesse aqui...talvez me identificasse mais com outra religião, outra ideologia...

Só nos poucos momentos que dediquei a este assunto fiquei a perceber que existem várias coisas com que me sinto mais próxima, como por exemplo, os protestantes, que ainda que muito semelhantes aos católicos não acreditam em purgatório, nem em obras que diminuam os nossos pecados, que não acreditam em confissões a padres, nem em ostentações na igreja, porque Deus está por todo o lado em qualquer um de nós; o budismo, a nova era, a fé Baha'i entre outras... o islamismo com ao qual não sinto qualquer pertença porque defendem o homem como ser mais importante e dominante, a poligamia, etc...o que talvez contraste em demasia com a cultura ocidental.

Em meros minutos percebi que o que sou poderia ser diferente se tivesse pensado, decidido e por isso mesmo ainda que já não seja capaz de abandonar esta "tradição", ainda que não hajam forças suficientes para a mudança, gosto de acreditar que um dia vou dar essa opção a alguém... porque eu acredito que a religião deve ser uma opção de vida e o baptismo não deve ser imposto...
E tu o que achas?


Apus

2 comentários:

Saroccas disse...

Novo post requer novo comentário!! hehe Mais um tema polémico, né? Pois bem, cá vou seu dizer de minha justiça, tentando fazer um comentário com pés e cabeça. Começarei com a minha longa e contrariada educação no catolicismo. Eu fui educada com base no catolicismo, com direito a missa semanal e nos feriados religiosos (quando era a altura da Pascoa, com missa na sexta-feira santa e no domingo, ou quando os feriados calhavam ao sábado, o que me obrigava a ir à missa dois dias seguidos, era um suplício), e onze anos de catequese (porque no meu décimo ano, quando devia fazer o tão chamado Crisma, o bispo não veio a Oeiras). Que sorte, hein? Todas as semanas havia “guerra” em minha casa, porque eu não queria ir à missa e o meu pai obrigava-me a ir. Pergunta #1: Que raio de educação é esta em que se impõe uma religião aos filhos só porque é a religião se sempre se seguiu? Continuando… Quando tinha 19 anos (para aí, agora tenho 21, portanto é num passado mais ou menos recente), decidi fazer frente ao meu pai (novamente) e ele acabou (milagrosamente) por ceder! Deixei de ir à missa. YEAH!! O problema não era acreditar ou não acreditar (até porque disso já falo), mas via na missa uma obrigação que me era imposta por terceiros e não porque quisesse ir realmente. O mesmo se passou com a catequese, mas nisso não tive tanta sorte. Tive mesmo de fazer os onze anos. Mas confesso que inventava desculpas esfarrapadas para conseguir faltar. Pergunta #2: (em tom de ironia) É isso que Deus quer? Mentiras? Continuando… Foram vários anos de martírio, não que fizesse de mim uma pessoa pior ou algo do género, mas eu apenas fazia isso porque o meu pai queria que eu fizesse, porque foi assim que ele foi educado. Pergunta #3: Então e a minha mãe? Pois, a minha mãe também é católica não praticante, com umas ideias um bocado tresloucadas (apesar de ser jovem, acredita piamente em Adão e Eva e goza comigo quando lhe digo que descendemos de Australopitecus e quando vê macacos nos programas do tipo National Geographic, manda a boquinha do género “Olha ali a tua família!” Enfim!), mas nunca se opôs à minha educação contrariada na onda do catolicismo. Ela é apenas uma das muitas pessoas cegas pela religião e que se recusa a ver o que está provado com provas científicas. Foi quando andava na catequese (que não me ensinou nada que eu não aprendesse na missa) que começaram a surgir as primeiras dúvidas. Mas se esta religião é tão fervorosa assim, eu gostava de saber porque é que alguns são “filhos” e outros são “enteados”. Passo a explicar: quando andava para aí no quinto ano, entrou uma rapariga que nem baptizada era, mas que o queria ser. Como ela já era mais velha (tinha oito ou nove anos) para a idade que normalmente as crianças foram baptizadas (eu fui com um mês e meio, porque tinha problemas de saúde e os meus pais tinham medo que morresse sem ser baptizada e não fosse para o céu! LOOL), quando ela foi baptizada, deram-lhe logo os restantes sacramentos, nomeadamente Primeira Comunhão (ou Eucaristia), Profissão de Fé (que não é um sacramento e sim um passo na educação católica) e Crisma. Tudo isto com dois anos de catequese. Pergunta #4: Porque raio é que eu para ser “formada” no catolicismo tive de ter onze anos e aquela rapariga apenas dois? Continuando… As dúvidas foram aumentando com a matéria estudada que explicava a Origem do Universo, a Diversidade de Espécies e o surgimento do ser humano como ser filogeneticamente semelhante ao “Macaco”. As explicações que me eram apresentadas com provas irrefutáveis eram muito mais fortes que as “histórias de carochinhas” que a Bíblia oferece. Mas isso não tem nada de mal, até porque naquele tempo, apenas se tentou explicar o inexplicável, na altura, com base na religião (que era a grande movimentadora da mente humana). [Fim de parte I]

Saroccas disse...

[Parte II] Não querendo fugir do tema, é certo que há ainda muitas coisas inexplicáveis, e a morte da minha avó aproximou-me, de novo da igreja (vou à missa todos os meses em memória da minha avó), mas nem por isso deixo de acreditar no que passei a acreditar, no que aquilo que a Ciência me mostra. No entanto, acredito ainda, não sei se é mesmo por acreditar, ou se é fruto da minha educação, em algo superior, em algo que nos é capaz de guiar, em algo a quem recorro quando preciso de ajuda. E pode ser meramente coincidência, mas sinto que sou ajudada por alguém lá de cima. É, passo a citar, “uma questão de fé”! Mas isso não quer dizer que impor a minha religião (que não consigo definir ainda, muito bem) a alguém. Isso é mais um momento de discórdia em minha casa, quando digo que os meus filhos (se é que vou tê-los) não vão ser baptizados, porque têm direito a opinião própria e escolha da sua própria religião. Até porque não sei se haverá uma religião perfeita; há sim, algumas com as quais poderemos concordar ou simpatizar mais, mas todas têm os seus prós e contras, caso contrário não haveria tantas guerras inter-religiões. O catolicismo está longe da perfeição. É a religião que melhor conheço e que mais poderei refutar: o preservativo e o aborto são logo os primeiros temas, posso seguir para a violação por parte dos padres (não só da boa vontade das pessoas, que é um mal menor, mas também das próprias pessoas [and I mean física e psicologicamente] e dos votos que fazem)… A fertilização in vitro e a engenharia genética são outros dos temas controversos dos quais tenho uma opinião bastante distinta da igreja. Se o mundo evolui, a religião também o deve fazer. É necessário haver uma reforma urgente no âmbito da religião! Parabéns por mais um post incrível! Fico à espera de mais! Beijinho grande, SaRoCCaS